quarta-feira, 8 de abril de 2009

Senhorinha de Magalhães

Perdida na imensidão do Universo, sou alma errante que busca sem encontrar um local a que chamar lar.

Fujo e afasto-me de tudo e de todos sem nunca perceber que era de mim de quem mais queria fugir.

Tantas vezes amei e desamei. Tantas vezes errei para não evoluir.

Presa a nada a não ser o ar, volto a reencarnar, volto a viver.

Serei eu? Serei alguém? Lembrar-me-ei no fim, como que num balanço de vidas, se algo aprendi? Ou vivo vezes e vezes sem conta sem nunca saber afinal que vivi e para que vivi.

Para quem vivi? Para mim, única e exclusivamente eu! A minha vontade egoísta de sentir, pertencer, encontrar um pedaço de terra só meu.

De nada me serve. A vida é uma escada que vou subindo e descendo muitas vezes sem saber se subo ou desço apenas noto que me movo, sem rumo ou destino. Será fado ou engodo o termo, se é que existe, da vida?

Agora com os olhos enrugados pelo tempo. Muitas vezes não sei quem sou ou quem fui.
Tudo o que tinha, nem sei mais que tive, nem sei que tenho, apenas sigo a maré num local estranho a que chamo lar. Perdeu o aconchego a palavra. Nada mais é que um depósito que me recorda, quando consciente, de que daqui só saio noutra vida, se é que a há.

Qual lar, qual vida, qual destino, cruel (?) que me resta. Agora que me olham com o pesar no rosto, de quem vem por frete, sabe se lá ver-me por uma vez mais antes de existir noutra vida, se é que a há.

Recordo-te agora com saudade. Meu exemplo de força e mulher, que muito sofreu mas aventurou e desafiou. Podes não saber quem és mas sei eu quem foste e és ainda e espero que ainda sejas por muito tempo mais.

Posso apenas imaginar o meu fado, tu já conheces o teu.
Desculpa a impaciência, desculpa o mau feitio, desculpa as visitas escassas, desculpa o peso no rosto de quem tem medo que me olhes e me reconheças pela última vez, embora teu coração ainda bata, teus pulmões ainda respirem e a tua mente se perca no imaginário mundo que criarás quando o Alzheimer tomar conta de quem és e foste.

Não tenhas medo nem vergonha.
Para mim sempre foste e serás a melhor avó do mundo.

Sem comentários:

Enviar um comentário