Não há maior tristeza do que recordar a vida passada com olhos pesados e concluir que não vivi.
Assim quero rir, chorar, desesperar, amar, detestar, gritar em plenos pulmões, vibrar para aprender... sempre e cada vez mais.
Cair de cara no chão e saber que sou capaz de me erguer mais uma vez para continuar... mesmo que seja para cair novamente.
A vida é uma escada, que não se quer em caracol.
Fazer sempre o mesmo não é viver - é sobreviver.
Então quero arriscar, viver ao extremo.
Não quero ser boa quero ser extraordinária.
Não quero ser feliz, quero a felicidade!
Quero o inatingível porque sei que assim vou estar sempre a lutar.
A dor nada mais é senão o manifestar da vida.
É a forma de saber o que lhe é antagónico.
O bom existe porque exite o mal.
A felicidade existe graças à tristeza.
Então se a dor existe venha ela, porque se o oposto lhe sucede então que doa, mas doa muito, bastante mesmo porque só assim viverei em pleno.
Se tenho de escolher dor ou vazio escolho dor... pois ser se vazio é ser-se um "não ser"; é deixar -se ir, é perpetuar uma linha recta que não sabe onde começou nem tem qualquer rumo...
Vazio de emoções, vazio de pensamento, vazio de sensações, não sou ser vivo - sou ossos, sou músculo, sou gordura, sou água, sou pele....
Nada mais sou senão um servo do próprio fado a que me resignei.
Então que volte a doer e sempre doa, sim sou masoquista mas nunca, na vida, hei-de desistir de SER...
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