Tenho de novo 15 anos.
estou sozinha no meu quarto com as lágrimas cristalinas a escorrerem-me pelo rosto, frias salgadas, a encherem o meu colo, vergado, no chão frio, trémulo.
Passo mais uma vez a faca pelos pulsos e mais uma vez me revejo desde cedo.
Recordo um cão, recordo uma familia dissonante, recordo um pai ausente, uma mãe presente, um irmão difícil mas que sempre amei, recordo os berros, as discussões, as festas, a escola, chamarem-me de pipo, de não ser apreciada, de ter boas notas, de ser timida, não ter muitos amigos, de brincar sozinha, muitas vezes no quintal.
Recordo crescer e aprender que afinal me afastei eu mesma das pessoas, cresci numa redoma auto construida, a defender não sei bem o que, nem porquê.
Recordo querer ser amada, desenfreadamente, como se fosse uma única no mundo e mais ninguem, mas eu, interessasse na vida de alguém.
Tenho agora 25 anos, de novo o sal incha me o olhar, mais uma vez pesa a desilusão... continuo a recordar, desta vez uma irmão que ianda amo mas não me ama a mim, um pai ausente e uma mãe carente.
Por ti fico, por ti vou suportando, mesmo a falta de coragem um dia falharia e irira de certo por termo àquilo que tanto amo mas desrespeito, a vida que me deste com tanto amor e carinho, com tudo aquilo que pudeste e tiveste para me dar, mesmo que para ti não seja justa e te faça sofrer vezes e vezes sem conta.
Por ti e para ti continuo, não te posso abandonar, quem me dera poder mudar a tua vida e a minha, dar te vida como me deste a mim e mereces... quem me dera poder fazer te feliz...
Tenho 6 anos e tenho medo dos foguetes que te queimaram a saia. Tenho medo que de noite, por algum motivo me venham magoar, quero dormir contigo e tu conssentes, como esperava que conssentisses... não dormi logo, muitas vezes adormecia longos minutos depois de ti... mas a tua segurança ali bastava-me, porque estavas lá e continuas aqui...
Tenho 20 anos e esqueci-me do teu anirversário, desculpa mãe, nunca me hei de perdoar, nunca hei de esquecer o rosto desiludido e choroso com me mostraste a boneca que a tua mãe te ofereceu, que nada significava mas muito sentia, um gesto, um carinho, um sinal que nao se tinham esquecido, como eu me esqueci, mas não esqueço agora, nunca mais me esquecerei, que um dia me esqueci que fizeste anos.
Tenho 5 anos e fiquei de castigo. Lavei mal a louça e não me deixaste brincar com a minha prima, tinhas razão, não valia a pena....
Tenho 26 anos e continuo aqui para ti, guardo a faca na gaveta, os comprimidos no armário.
Seco as lágrimas e dou graças por estar aqui por ti, fica sabendo que enquanto existires eu existo.
Posso não to dizer, devia, mas amo te muito mãe. Obrigada por ( ainda ) me dares ar para respirar...
segunda-feira, 6 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
D
É injusto, é tão injusto...
...que mais uma vez seja decepcionada pelo destino, traída pela minha própria natureza... sou assim tão óbvia ou não me percebes sequer? É assim tão infantil querer-se ser amada? Querer-se sentir apreciada por alguém? é assim tão demais pedir que mo digas, que digas que me amas, que pensas em mim, que me queres a toda a hora ou mesmo que não me amas, que não gastas um segundo da tua energia comigo, que não te interessa que esteja bem ou mal, mais satisfeita ou menos agradada, neste mundo esgoísta e masoquista, da lei do olho por olho dente por dente, que me apanha a mim refém no meio de uma estória que em nada me inclui e de nada se parece comigo.
Quero lá saber que tenhas pensado noutras em primeiro lugar, quero lá saber que te tenham feito sofrer... e eu com isso? Eu não me sobreponho a ti, te sobreponho a mim, pois só assim sei amar, só assim te sei mostrar que se o caso dava a vida por quem mais amo, ainda que não no sentido romanesco, literal e dantesco, mas no sentido de te incuir nos meus planos, na minha mente, te considerar em vez de partir do princípio que sou a única célula constituinte da natureza, o unico átomo válido no universo...
Eu amo te, eu adoro te, eu odeio te... tenho te raiva e amor, perco o sono, a fome, desejo te a toda a hora... quero o sabor dos teus lábios, quero o doce da tua suave língua em todo o meu corpo, quero me arrepiar, quero suspirar, ficar ofegante e contigo amar...
Quero te longe de mim, longe da mágoa que me causas, longe da lor lancinante que me atravessa a pele, rasga os músculos, corta a respiração e destroça este coração já tantas vezes pisado, usado, triturado, vaiado, cuspido, troçado, ameaçado, cortado aos pedaços e dado de comer aos porcos que até eles rejeitam, por tão moido, insípido, rijo, frio se ter tornado... vazio de sentimento, vazio de emoção, vazio de alegria, sabor ou vitalidade... vai bantendo aos poucos até parar um dia, sozinho, por conquistar, exausto e extenuado, cansado e irritado, por bater contra a vontade, vezes e vezes sem conta... bate que bate e bate e bate, volta a bater e chora, sempre que o faz, segundo a pós segundo, chora, grita sem alma nem destino ou razão... bate e bate sem cessar e bate e bate até se cansar...
É de madrugada e não durmo. Vagueio o pensamento pelo quarto que nunca mais visitarei, pelo quarto onde ficou trancado o nosso amor, sempre entre quatro paredes... na cama, na poltrona, no banheiro, aquele local que nada me diz mas é tão familiar, não mais faz parte de nós...
É de madrugada e não durmo. Debato me por te acordar ou não. Será que dormes? Claro que sim, não te ocupas de mim. O teu coraçao nao bate mais depressa quando me vês, as tuas mãos não escorregam uma na outra, o teu olhar não se ilumina para mim, ah esses teus lindos olhos castanhos, cheios de mistérios que insistes em não me revelar, esse mar de palavras que repreendes e não pronuncias - FALA COMIGO - se não tens paixão por mim então que resta? O amor que dizes que não tens ou queres? Tirando isso sobra nada e com nada não posso viver... queria mas não posso... podia mas também não quero,mereço te eu sei... sei que me tomas por uma criança, até posso ser às vezes, mas perto de ti perco a capacidade de articular seja que silaba for, teu olhar pesado julga, acusa, recusa e faz doer, faz calar qualquer grito que te queira transmitir - OLHA PARA MIM - não sou criança, mas sou mimada, quero te só para mim e saber que és meu - NINGUEM É DE NINGUÉM - queria parar de pensar que em mim não vês mais a não ser companhia, alguém com quem partilhar os pesados minutos, que te arrastam para uma realidade tão diferente e longe da tua.
É de madrugada e não durmo. Fico aqui a tentar relembrar o teu cheiro, a passar o teu discurso a pente fino, a tentar separar a mentira praticada da verdade, sou desconfiada, paranoica porque detesto a realidade latente, subjacente, a realidade transformada, que nunca é fiel ao real, são apenas realidades, que nunca existem por si, carecem de interpertração do olhar humano, do teu e do meu, que faz do real um produto transformado que de real nada tem, assim como a verdade e a felicidade. Nada é absoluto, nada é fiel, nada é estanque e tudo se altera, pelos óculos com que vemos ou não vemos, queremos ver ou pensamos ver, o que na realidade nunca lá esteve. Qual ciúme ou desconfiança, traição ou mentira, como se i(?) se a realidade que conheço é a que decides não mostar? Ocultas o que sentes, dizes o que dizes querer e saber, com toda a certeza, se essa também não existe... nada é certo, tudo parte, a imortalidade só existe em conceito próprio, as palavras mesmo repetidas, como quanco crianças a dizer vezes e vezes sem conta a mesma coisa, perdem sentido, ficam ocas de significado, as acções essas podem ser mal interpretadas, até ensaiadas, então como hei de eu saber? ... como hei de saber que não precisas de mim para satisfazer a tua necessidade egoista e assumida de "pensar em mim primeiro"?
É de madrugada e não durmo, odeio te por dormires um sono profundo e sereno e me roubares a mim a serenidade, o ser. Odeio te, nada mais que um sentimento impalpável, transitório, que tanto diz mas nada significa, porque na realidade (?) o que te quero dizer é que te amo, tanto que invejo o teu sono profundo e sereno, amo te tanto que não adormeço só para não deixar de te lembrar, de te fotografar diante meus olhos, a sorrir, a cantar para mim, a abraçar-me e a amar-me.
Odeio-te como te amo - odeio que te ame.
Quero te aqui, agora, com o teu olhar em mim, que me diz "coração" também gosto de ti mas não o quero dizer, para não ser a valer, para não ter que admitir que afinal tens razão, é de loucos mas gosto de ti, foi preciso atravessar um oceano para voltar a sentir que não sou só um mas somos dois...
Quero te aqui e agora, mesmo que teu olhar afinal me diga o que a boca parece não saber conjugar e que tanto melindra o meu pensamento... teu olhar fala, mas eu nao sei ler, sou leiga e uso um filtro masoquista, negativo e carregado que só por si me diz que não sou suficientemente boa para ti... devia ser mais bonita, meus cabelos mais longos, meu corpo mais esguio e um pensar leve, complacente, obsequioso, indulgente, altruísta, positivo e paciente....qualidades que não tenho em suficiente para ti...
É de madrugada e não durmo. Não sou muito mas posso ser tua, é de madruga e não durmo, deambulo em pensamentos, de razão em razão, porque não me queres só para ti, teu orgulho e alegria...
É de madrugada e já durmo, somos dois - NÃO ME ACORDES - sou feliz e tu também o és, sou leve e livre e tu estás comigo, mão em mão, uma na outra, não respiro, nem existo, sou enfim imortal e te carrego comigo para sempre, a minha realidade construida, a memória de ti a provar que afinal sou doida e estou errada, sou suficiente e me queres só para ti...
...que mais uma vez seja decepcionada pelo destino, traída pela minha própria natureza... sou assim tão óbvia ou não me percebes sequer? É assim tão infantil querer-se ser amada? Querer-se sentir apreciada por alguém? é assim tão demais pedir que mo digas, que digas que me amas, que pensas em mim, que me queres a toda a hora ou mesmo que não me amas, que não gastas um segundo da tua energia comigo, que não te interessa que esteja bem ou mal, mais satisfeita ou menos agradada, neste mundo esgoísta e masoquista, da lei do olho por olho dente por dente, que me apanha a mim refém no meio de uma estória que em nada me inclui e de nada se parece comigo.
Quero lá saber que tenhas pensado noutras em primeiro lugar, quero lá saber que te tenham feito sofrer... e eu com isso? Eu não me sobreponho a ti, te sobreponho a mim, pois só assim sei amar, só assim te sei mostrar que se o caso dava a vida por quem mais amo, ainda que não no sentido romanesco, literal e dantesco, mas no sentido de te incuir nos meus planos, na minha mente, te considerar em vez de partir do princípio que sou a única célula constituinte da natureza, o unico átomo válido no universo...
Eu amo te, eu adoro te, eu odeio te... tenho te raiva e amor, perco o sono, a fome, desejo te a toda a hora... quero o sabor dos teus lábios, quero o doce da tua suave língua em todo o meu corpo, quero me arrepiar, quero suspirar, ficar ofegante e contigo amar...
Quero te longe de mim, longe da mágoa que me causas, longe da lor lancinante que me atravessa a pele, rasga os músculos, corta a respiração e destroça este coração já tantas vezes pisado, usado, triturado, vaiado, cuspido, troçado, ameaçado, cortado aos pedaços e dado de comer aos porcos que até eles rejeitam, por tão moido, insípido, rijo, frio se ter tornado... vazio de sentimento, vazio de emoção, vazio de alegria, sabor ou vitalidade... vai bantendo aos poucos até parar um dia, sozinho, por conquistar, exausto e extenuado, cansado e irritado, por bater contra a vontade, vezes e vezes sem conta... bate que bate e bate e bate, volta a bater e chora, sempre que o faz, segundo a pós segundo, chora, grita sem alma nem destino ou razão... bate e bate sem cessar e bate e bate até se cansar...
É de madrugada e não durmo. Vagueio o pensamento pelo quarto que nunca mais visitarei, pelo quarto onde ficou trancado o nosso amor, sempre entre quatro paredes... na cama, na poltrona, no banheiro, aquele local que nada me diz mas é tão familiar, não mais faz parte de nós...
É de madrugada e não durmo. Debato me por te acordar ou não. Será que dormes? Claro que sim, não te ocupas de mim. O teu coraçao nao bate mais depressa quando me vês, as tuas mãos não escorregam uma na outra, o teu olhar não se ilumina para mim, ah esses teus lindos olhos castanhos, cheios de mistérios que insistes em não me revelar, esse mar de palavras que repreendes e não pronuncias - FALA COMIGO - se não tens paixão por mim então que resta? O amor que dizes que não tens ou queres? Tirando isso sobra nada e com nada não posso viver... queria mas não posso... podia mas também não quero,mereço te eu sei... sei que me tomas por uma criança, até posso ser às vezes, mas perto de ti perco a capacidade de articular seja que silaba for, teu olhar pesado julga, acusa, recusa e faz doer, faz calar qualquer grito que te queira transmitir - OLHA PARA MIM - não sou criança, mas sou mimada, quero te só para mim e saber que és meu - NINGUEM É DE NINGUÉM - queria parar de pensar que em mim não vês mais a não ser companhia, alguém com quem partilhar os pesados minutos, que te arrastam para uma realidade tão diferente e longe da tua.
É de madrugada e não durmo. Fico aqui a tentar relembrar o teu cheiro, a passar o teu discurso a pente fino, a tentar separar a mentira praticada da verdade, sou desconfiada, paranoica porque detesto a realidade latente, subjacente, a realidade transformada, que nunca é fiel ao real, são apenas realidades, que nunca existem por si, carecem de interpertração do olhar humano, do teu e do meu, que faz do real um produto transformado que de real nada tem, assim como a verdade e a felicidade. Nada é absoluto, nada é fiel, nada é estanque e tudo se altera, pelos óculos com que vemos ou não vemos, queremos ver ou pensamos ver, o que na realidade nunca lá esteve. Qual ciúme ou desconfiança, traição ou mentira, como se i(?) se a realidade que conheço é a que decides não mostar? Ocultas o que sentes, dizes o que dizes querer e saber, com toda a certeza, se essa também não existe... nada é certo, tudo parte, a imortalidade só existe em conceito próprio, as palavras mesmo repetidas, como quanco crianças a dizer vezes e vezes sem conta a mesma coisa, perdem sentido, ficam ocas de significado, as acções essas podem ser mal interpretadas, até ensaiadas, então como hei de eu saber? ... como hei de saber que não precisas de mim para satisfazer a tua necessidade egoista e assumida de "pensar em mim primeiro"?
É de madrugada e não durmo, odeio te por dormires um sono profundo e sereno e me roubares a mim a serenidade, o ser. Odeio te, nada mais que um sentimento impalpável, transitório, que tanto diz mas nada significa, porque na realidade (?) o que te quero dizer é que te amo, tanto que invejo o teu sono profundo e sereno, amo te tanto que não adormeço só para não deixar de te lembrar, de te fotografar diante meus olhos, a sorrir, a cantar para mim, a abraçar-me e a amar-me.
Odeio-te como te amo - odeio que te ame.
Quero te aqui, agora, com o teu olhar em mim, que me diz "coração" também gosto de ti mas não o quero dizer, para não ser a valer, para não ter que admitir que afinal tens razão, é de loucos mas gosto de ti, foi preciso atravessar um oceano para voltar a sentir que não sou só um mas somos dois...
Quero te aqui e agora, mesmo que teu olhar afinal me diga o que a boca parece não saber conjugar e que tanto melindra o meu pensamento... teu olhar fala, mas eu nao sei ler, sou leiga e uso um filtro masoquista, negativo e carregado que só por si me diz que não sou suficientemente boa para ti... devia ser mais bonita, meus cabelos mais longos, meu corpo mais esguio e um pensar leve, complacente, obsequioso, indulgente, altruísta, positivo e paciente....qualidades que não tenho em suficiente para ti...
É de madrugada e não durmo. Não sou muito mas posso ser tua, é de madruga e não durmo, deambulo em pensamentos, de razão em razão, porque não me queres só para ti, teu orgulho e alegria...
É de madrugada e já durmo, somos dois - NÃO ME ACORDES - sou feliz e tu também o és, sou leve e livre e tu estás comigo, mão em mão, uma na outra, não respiro, nem existo, sou enfim imortal e te carrego comigo para sempre, a minha realidade construida, a memória de ti a provar que afinal sou doida e estou errada, sou suficiente e me queres só para ti...
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