Vieste assim, devagar devagarinho.
Disfarçado, camuflado desinteressado e acabaste por despertar algo em mim.
Tenho saudades quando não estás lá, exigo a tua atenção só para mim, espero-te todas as noites e porquê?
Porque me confortas e respeitas? Porque me falas sem necessidade, porque me divertes com o teu português tão diferente do meu, porque me fazes sentir bem, porque me fazes sentir algo que não sei bem definir.
As minhas palmas não suam até porque não tocam nas tuas; não sei se me arde o teu toque; quando te vejo ressinto-me, sem a protecção opaca de um ecrã não sei o que dizer, nem sei porque, isto não tem razão de ser, nem devia ter acontecido.
Assim de repente já nem sei se sabia aquio que pensava que queria, não porque não posso tê-lo (agora o sei com certeza) mas porque já não o quero.
Quero te a ti, mas não assim. Quero a tua companhia, a tua presença, se estou contigo estou bem - não me interessa se estou feliz ou triste; não me interessa se quando olho no espelho me repudia o reflexo, não me interessa ser quem não sou nem o quero porque contigo tudo é bem mais simples.
Então quando cantas para mim, este mundo é só meu.
As palavras que cantas são tuas, o interlocutor sou eu...
Contigo ultrapassei preconceitos, aprendi a ser mais receptiva, a ver o que antes não me interessava mas a troco de quê?
Não queres a minha presença a não ser a virtual. Medo de que se perca a maravilha, aquele compromisso, aquela lullaby que entoas para mim antes de adormeceres, que te alivia a alma e o pesar?
Mas o que cantas são saudades de alguém que te é especial e que eu desconheço?
Agora começa a tormenta ou repete-se o ciclo.
Ainda bem que ninguem lê estes meus pensamentos transcritos, tão esquizofrénicos, tão ingratos, que dilaceram minh'alma como se fossem lâminas encobertas em chamas, que picam e ardem vezes e vezes sem conta...
Tanto pensamento, tão pouca coragem, tanto medo de perder aquilo que nem sei se tenho, se é k é meu ou alguma vez foi.
Não percebo não entendo apenas doi pensar que possas não te interessar se me doi ou não imaginar sequer que vais partir para os braços de quem desconheço, sem nunca mais voltar...
Vou regressar à minha caverna, ao meu longo pesar...
Não quero ver ninguém, não quero sequer respirar... espero que regresses cedo... se é que é um regressar para mim, a mim e só para mim, volta a cantar....
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