Como te dizer que sinto a tua falta e tenho saudades... do teu riso, do teu jeito de falar, da tua impaciência, do teu cheiro, do teu olhar no meu, da nossa cumplicidade...
Como te dizer que quando te conheci, ainda me lembro, sentado na tua cadeira, com a tua postura do "não quero saber, tou me a cagar e os outros que se fodam"... olhaste, discreto, silnecioso permaneceste até que um dia chegaste, a falar de artistas e te disse que sim eras artista, mas de circo.... Tava noutra, na expectativa de ter encontrado enfim um homem a sério, mais maduro, mais velho, mais ligado à família e disponível, como eu...
Como te dizer que logo ali algo senti dentro de mim, logo no dia em que saimos juntos e sozinhos e te obriguei a pagar me um café porque, diacho, não tinha dinheiro comigo...
Como te dizer que nessa altura já não pensava no outro com o coração mas com a cabeça... como era possível sentir o que sentia... não eras nada do que pensei melhor para mim... não eras quem pensei que eras, irresponsável e imaturo, alguém que vai com a corrente e nada sente a não ser por si mesmo e pelo seu umbigo....
Como te dizer que mexeste comigo e quando vias no visor mensagens dele era eu a tentar afastá-lo de mim porque já sabia que não gostava dele mas sentia algo por ti...
Como te dizer que me confundias e ainda confundes, não negas a atracção por mim e admites gostar de alguém que não eu? Voltei a pensar com a cabeça e tentei tirar te do meu coração... foi horrivel, sentir me assim, não sabia que era possível mas foi... ter alguém a tocar em mim e imaginar que eram as tuas mãos e não as dele.. pensar que se fosses tu era bem melhor, não queria estar ali mas contigo, senti vergonha, foi pior que pensava, senti repudio, senti nojo, senti a sujice de me limitar e travar, por pensar que se te dissesse a tua aversão por sentimentos ia certamente afastar te de mim...
Como te dizer que não consegui mais... mesmo que saiba que não te tenho nem terei, é me dificil aceitar mas prefiro permanecer assim... fiel ao que sinto, ao que sei que tenho para te dar, a felicidade que sei que contigo tenho....
Como te dizer que gosto de ti... não quero o teu sexo, nem a tua ajuda, quero te a ti a meu lado, a tua companhia a tua imprevisibilidade, a tua iniciativa, a tua espontaneidade....
Como te dizer que és lindo, mas não é isso que me atrai em ti...
Como te dizer que tens razão, se estou contigo estou com Deus, sinto me segura e protegida, tal e qual como um homem deve representar o papel de pilar protector tu és/serias o meu....
Como te dizer que mesmo quando me irritas gosto de ti, aceito te tal como és, não quero um cão quero um homem, como sei que és....
Como te dizer que todas as noites revejo o que me dizes e não dizes, o teu silêncio mata-me a alma, esfaqueia e rasga me o coração, é uma dor cá dentro, um buraco vazio que puxa a minha existência para a amargura de saber que é ela que te tem e não eu e estou destinada a sofrer até ao fim, até te esquecer... não há dia que não me lembre de ti.... na rádio, na memória, nas expressões, há sempre algo especial que me leva a ti...
Como te dizer que o que mais gosto em ti é o que contigo eu sei que posso ser... eu mesma, sem receio... contigo eu sou eu, igual a mim mesma, não calço os sapatos de ninguém, não preencho as medidas de ninguém, sou eu com os meus defeitos e as minhas virtudes e é assim que gostas de mim...
Como te dizer que nunca na minha vida me senti assim? Que sempre tentei ser alguém que não eu por pensar que assim podia agradar e até conseguir que alguém até gostasse de mim...
Como te dizer que és o único que me deixou assim sem esquecer e sem vontade de o fazer?
Como te dizer que quando nada dizes afinal penso que não me queres nem respeitas, sou apenas lufada de ar fresco no teu ego e que um dia sem aviso deixas de vez de me querer para uso frutuito...
Como te dizer que já passou muito tempo desde a última vez que te vi e sei que tu, como qualquer outro homem, não tens tao cedo saudades, se é que algum dia vais sentir, mas eu sinto...
Como te dizer que tenho ar de durona mas tremo mais que gelatina, como te dizer tudo isto e muito mais se não me deixas nem me dizes porquê... não mereço, julgo não merecer o silêncio, a ousadia, a cobardia e a troça....
Como te dizer que, foda-se, não queria, tentei, mas não consigo, desculpa mas gosto de ti e agora? Não te peço mais nada a não ser sinceridade... se me queres diz-me, se nao liberta-me por uma vez...
Como te dizer que jã não sei de mim....
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Nua
Nua é como me sinto...
Quanto te vejo com esse teu ar despreocupado... sinto-me nua quando falas nela, é como se ela fosse melhor que eu em todos os aspectos, mais bonita, mais inteligente, mais magra, mais sensual, mais digna do teu toque que eu... já não me tocas, já não me procuras, já não me desejas, já não te vejo a olhar-me pelo canto do olho... sinto me nua agora. Surgiste do nada, quando pensava que a vida finalmente corria segura, metódica, certa. Deixei me levar pelo impulso de sentir sem remorsos, sem pensar, apenas viver pela primeira vez porque julguei que merecia.
Senti-me bem, lá no alto, poderosa, independente, senhora de mim, como sempre quis ser, fria, sem ligação emocional a ninguem.... mas agora estou nua... tenho frio e mereço, a nudez a frieza... apercebi-me tarde demais que não deixei de sentir, apercebi-me tarde demais o que sentia por quem... sinto me nua e mereço... sinto que me apaixonei mas sei que tu não, sinto que mereço não ser melhor de quem te toma nos braços, de quem te beija os lábios, de quem te sente dentro dela... sinto me nua e mereço. É uma pena que vou carregar para sempre comigo, uma promessa de felicidade que arruinei, um defecho que não chegou, uma dor dilcerante, um abismo constante. Juro te que não queria isto, não queria sentir assim por ti, não gosto de mim assim, apaixonada, fraca, lamechas, mimalha, dependente, carente por um beijo teu, pelo teu toque... não queria mas sinto me nua. Nua sem ti, nua sem mim, perdida, derrotada.... Desculpa, não queria, mas sinto me nua.
Há uma razão pela qual eu estou sempre só. Nunca tomo as decisões certas, nada parece acertado, viver a um é mais facil que a dois, é uma realidade que receio... receio não ser boa companheira, boa amante, boa amiga, boa ouvinte, o suficiente para me queres só para ti e apenas eu te baste...
Sinto me nua... tão nua mas mereço, porque não te mereço a ti.... Desculpa eu não queria... mas sinto me nua sem ti...
Quanto te vejo com esse teu ar despreocupado... sinto-me nua quando falas nela, é como se ela fosse melhor que eu em todos os aspectos, mais bonita, mais inteligente, mais magra, mais sensual, mais digna do teu toque que eu... já não me tocas, já não me procuras, já não me desejas, já não te vejo a olhar-me pelo canto do olho... sinto me nua agora. Surgiste do nada, quando pensava que a vida finalmente corria segura, metódica, certa. Deixei me levar pelo impulso de sentir sem remorsos, sem pensar, apenas viver pela primeira vez porque julguei que merecia.
Senti-me bem, lá no alto, poderosa, independente, senhora de mim, como sempre quis ser, fria, sem ligação emocional a ninguem.... mas agora estou nua... tenho frio e mereço, a nudez a frieza... apercebi-me tarde demais que não deixei de sentir, apercebi-me tarde demais o que sentia por quem... sinto me nua e mereço... sinto que me apaixonei mas sei que tu não, sinto que mereço não ser melhor de quem te toma nos braços, de quem te beija os lábios, de quem te sente dentro dela... sinto me nua e mereço. É uma pena que vou carregar para sempre comigo, uma promessa de felicidade que arruinei, um defecho que não chegou, uma dor dilcerante, um abismo constante. Juro te que não queria isto, não queria sentir assim por ti, não gosto de mim assim, apaixonada, fraca, lamechas, mimalha, dependente, carente por um beijo teu, pelo teu toque... não queria mas sinto me nua. Nua sem ti, nua sem mim, perdida, derrotada.... Desculpa, não queria, mas sinto me nua.
Há uma razão pela qual eu estou sempre só. Nunca tomo as decisões certas, nada parece acertado, viver a um é mais facil que a dois, é uma realidade que receio... receio não ser boa companheira, boa amante, boa amiga, boa ouvinte, o suficiente para me queres só para ti e apenas eu te baste...
Sinto me nua... tão nua mas mereço, porque não te mereço a ti.... Desculpa eu não queria... mas sinto me nua sem ti...
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Dia mau.
Da janela do meu quarto chove....
Lá fora o mundo e aqui estou eu num outro tão à parte e tão só. Sentada no caixilho vejo a cidade lá fora, tão grande e numerosa, cheia de gente na sua vida, vidas atarefadas sem tempo para olhar para trás. Encolhida, com os joelhos ao peito penso em quão pequena aqui me sinto, sem niguém que me ampare ou acompanhe....
Um casal passa na rua, lá em baixo tão minúsculos que estão. Dão a mão e sorriem... entreolham-se por momentos e voltam a sorrir.... uma criança chora, deixa cair o brinquedo numa poça enlameada.... a mãe corre em auxilio, adivinho as palavras que acompanham o gesto que lhe enxuga as lágrimas... um homem passa a correr com o cão... de phones nos ouvidos passa apressado pelo casal feliz e quase se esbarra com a mulher que corre a acudir o desalento da criança....
a rua tem vida, cá de cima sou mera espectadora, vejo passar a vida sem senti-la passar por mim.... a cidade move-se, cheia de gentes cada uma com sua vida plena, recheada de alegrias e dissabores partilhados por amigos, familia, amantes... corações que se partem, uniões que se fortificam... toda a gente tem um rumo... eu sinto-me à deriva.... Aqui sentada, o movimento da rua deixa-me zonza... descanso os olhos e deito a cabeça nos joelhos.... olho à direita e vejo a minha vida.... uma cama desfeita, livros no chão e na mesinha de cabeceira... o telemóvel silencioso, já quase que nem o uso... uma garrafa de água no chão... roupa pelos cantos do quarto.... não há cores, é tão frio, tão vazio....
Se houvesse o sol iria alto mas ainda estou de vestido de noite... cinzento como o dia, transparente como a minha presença lá fora. Não quero sair, não quero olhar, não quero encarar a realidade não a minha mas a dos outros....
Mais um cigarro, a vida são dois dias, não há nada nela para mim, nada que eu possa fazer por mim, sou vitima de mim mesma e de todos... o som do cigarro a arder faz-me companhia, lá fora ainda chove, aqui dentro também...
Dia após dia chove, dia após dia vejo o dia passar na tentativa vã que amanha seja melhor, outra realidade, mas ela não muda. Traz esperanças de mudanças mas a desilusão anda de mão dada comigo e não me quer largar... farta do engodo, do logro da esperança um dia há ser demais... tenho a certeza, que um dia não irei chorar mais, tenho a certeza que um dia, na plenitude da minha solidão não vou ser feliz, tenho a certeza que um dia não viverei mais por minha porópria vontade....
tinham razão afinal o problema sou eu, sou factor de infelicidade dos outros... tudo o que toco se desfaz, todos que me conhecem me deixam, o mal é meu só pode, a sentença de uma vida destinada ao falhanço, não tenho mais armas para lutar...
Apago o cigarro, olho para o telemovel, ainda nada e outra vez nada... não há nada para mim... então decido. Ainda chove e choro e penso.... o mundo não pára se eu cá não estiver, quem sentirá sequer que uma vida se perdeu... deito-me na cama e finalmente sinto o efeito... agora já não há retorno.... fecho os olhos e sonho que aquela mulher que ri com o olhar sou eu, sonho que aquele beijo do casal, no casal estava eu, sonho que aquela criança é minha e há algo de mim a perpetuar-se, fecho os olhos e sonho que sou a vida lá em baixo a passar.
Já não chove e não choro, sinto dificuldade em respirar... é verdade, vejo a vida perante os meus olhos, tudo passa tão rápido mas tão devagar... tão pouco que ainda fiz ou vi... quem sou eu afinal... agora é tarde não sou mais que um corpo inanimado estendido... cabelo desalinhado, telemóvel perto do rosto... ninguém ligou, continuo só.... caiu uma árvore da floresta que ninguem viu ou ouvir tombar... lá fora sai finalmente o sol de entre as nuvens e a vida continua.....
Lá fora o mundo e aqui estou eu num outro tão à parte e tão só. Sentada no caixilho vejo a cidade lá fora, tão grande e numerosa, cheia de gente na sua vida, vidas atarefadas sem tempo para olhar para trás. Encolhida, com os joelhos ao peito penso em quão pequena aqui me sinto, sem niguém que me ampare ou acompanhe....
Um casal passa na rua, lá em baixo tão minúsculos que estão. Dão a mão e sorriem... entreolham-se por momentos e voltam a sorrir.... uma criança chora, deixa cair o brinquedo numa poça enlameada.... a mãe corre em auxilio, adivinho as palavras que acompanham o gesto que lhe enxuga as lágrimas... um homem passa a correr com o cão... de phones nos ouvidos passa apressado pelo casal feliz e quase se esbarra com a mulher que corre a acudir o desalento da criança....
a rua tem vida, cá de cima sou mera espectadora, vejo passar a vida sem senti-la passar por mim.... a cidade move-se, cheia de gentes cada uma com sua vida plena, recheada de alegrias e dissabores partilhados por amigos, familia, amantes... corações que se partem, uniões que se fortificam... toda a gente tem um rumo... eu sinto-me à deriva.... Aqui sentada, o movimento da rua deixa-me zonza... descanso os olhos e deito a cabeça nos joelhos.... olho à direita e vejo a minha vida.... uma cama desfeita, livros no chão e na mesinha de cabeceira... o telemóvel silencioso, já quase que nem o uso... uma garrafa de água no chão... roupa pelos cantos do quarto.... não há cores, é tão frio, tão vazio....
Se houvesse o sol iria alto mas ainda estou de vestido de noite... cinzento como o dia, transparente como a minha presença lá fora. Não quero sair, não quero olhar, não quero encarar a realidade não a minha mas a dos outros....
Mais um cigarro, a vida são dois dias, não há nada nela para mim, nada que eu possa fazer por mim, sou vitima de mim mesma e de todos... o som do cigarro a arder faz-me companhia, lá fora ainda chove, aqui dentro também...
Dia após dia chove, dia após dia vejo o dia passar na tentativa vã que amanha seja melhor, outra realidade, mas ela não muda. Traz esperanças de mudanças mas a desilusão anda de mão dada comigo e não me quer largar... farta do engodo, do logro da esperança um dia há ser demais... tenho a certeza, que um dia não irei chorar mais, tenho a certeza que um dia, na plenitude da minha solidão não vou ser feliz, tenho a certeza que um dia não viverei mais por minha porópria vontade....
tinham razão afinal o problema sou eu, sou factor de infelicidade dos outros... tudo o que toco se desfaz, todos que me conhecem me deixam, o mal é meu só pode, a sentença de uma vida destinada ao falhanço, não tenho mais armas para lutar...
Apago o cigarro, olho para o telemovel, ainda nada e outra vez nada... não há nada para mim... então decido. Ainda chove e choro e penso.... o mundo não pára se eu cá não estiver, quem sentirá sequer que uma vida se perdeu... deito-me na cama e finalmente sinto o efeito... agora já não há retorno.... fecho os olhos e sonho que aquela mulher que ri com o olhar sou eu, sonho que aquele beijo do casal, no casal estava eu, sonho que aquela criança é minha e há algo de mim a perpetuar-se, fecho os olhos e sonho que sou a vida lá em baixo a passar.
Já não chove e não choro, sinto dificuldade em respirar... é verdade, vejo a vida perante os meus olhos, tudo passa tão rápido mas tão devagar... tão pouco que ainda fiz ou vi... quem sou eu afinal... agora é tarde não sou mais que um corpo inanimado estendido... cabelo desalinhado, telemóvel perto do rosto... ninguém ligou, continuo só.... caiu uma árvore da floresta que ninguem viu ou ouvir tombar... lá fora sai finalmente o sol de entre as nuvens e a vida continua.....
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