sábado, 18 de abril de 2009

N

Hoje queria morrer.

Morrer não, não existir senão de forma etérea, leve como o ar, transparente como a água, invisível como sempre sou.

Queria estar num estado marinado para não ter de suportar esta mente que a si mente compulsivamente, em busca de um sonho, de um ideal fabricado, de ti.

Se cortasse os meus pulsos deles jorrariam um sangue quente, apaixonado, cheio de paixão cega que cega qualquer um, incluindo eu, não eu mas EU. Aquilo que habita o meu corpo mas não sabe o que é. Não sabe porque sente o que sente se é que sente ou apenas pensa que sente, ou sequer se até pensa aliás...

O imenso mar vermelho que sairia do meu corpo levaria ele consigo isto que sinto ou que penso ser a minha existência. Será que poderia alimentar a terra e eu me transformaria em árvore, ou flor, ou fruto ou qualquer outro ser, que sem ser é, não pensa, não sente mas existe.

Será que existe? Eu exist0?
Para quem? Para mim? Para quem me vê, ouve e toca?
Há um planeta inteiro que existe sem o nosso conhecimento - assim se delineam as fronteiras do que realmente chamamos de ser.

Então que sou eu? Uma fina camada de esotérico que me torna hospedeira de mim mesma? Prisioneira de mim mesma? Ou um todo. Será que existo enxuta? Sem ponta de paixão em mim? De sangue que me percorra as veias? E esse corpo inanimado, efémero e enfermo que dura apenas uma vida e se deteora ao segundo, é mesmo meu ou um aluguer?

Qual o preço do aluguer de um corpo numa vida? Se não tenho memória quando abandono esta machina animata, o k resta? Se não gravo a vida, de que me serve ela na posteriordade, se é que esta existe.

E onde entras tu? Meu anjo, meu sonho, minha tortura, meu pesadelo? E o amor, será que é?, que sinto por ti. O que me faz ele a mim e a ti? A nós? Apenas serve uma necessidade egoísta de companhia, prazer carnal, em quem descarregar as maleitas da vida e festejar os pequenos rasgos de luz, de felicidade?

E onde entram as guerras, a perpetuação da espécie, os laços de amizade, o trabalho, a rotina infernal de quem apenas a certeza de estar a caminhar para o fim... ou princípio...

E a religião? Esperança de absolvição do que o nosso super ego implementa como errado; esperança de um sentido à incompreensível e misteriosa estrada da nossa existência, ou vida apenas....

Se a morte é um sono profundo, então espero sonhar contigo eternamente.
Viver uma vida eterna de engodo, fado feliz, se te tenho, se és meu.

Se te puder sentir, os teus lábios nos meus, o toque quente da tua pele, a força do teu corpo contra o meu, então quero sonhar, eternamente contigo...

Quero sentir a tua respiração na minha pele, o teu sabor na minha língua, o teu cheiro misturado om o meu e o teu toque em todo o meu eu, quero te sentir de forma física e metafísica.

Quero sentir te parte de mim, deste eu que ultrapassa este corpo agreste, que não se reconhece a si mesmo já que tambem esse ignoro e, pois, imagino, bem melhor, bem diferente, bem mais do teu agrado mas nunca do meu...

Quero te aqui e agora, meu e só meu.
Quem te quer sou eu e eu, todo o meu ser, meu corpo, minha mente, minha alma, minha essência...porque resistes então? Deixa-te ser meu, quero ser tua, dar te tudo de mim, pois só isso faz sentido...

Que escorra em ti meu sangue, que o bebas ferozmente. Que te aqueça o coração e me dê uma razão para deambular nesta terra contigo...

Matem-me, o quão difícil é estar aqui, nesta consciência, neste eu, neste ser, neste hospedeiro, neste casulo que nunca vai realmente mostrar quem sou EU, eu mesma, aqui ao fundo, aqui dentro, triste aprisionada, limitada por mim mesma, acorrentada a um pesar de existências....

Este eu que não se quer, este eu que tantas incertezas tem...
Quem me dera ser leve e livre, como o ar...

Sem comentários:

Enviar um comentário