Antes que quem possa ler pense que sou depressiva crónica com tendências suicidas vou apenas declarar que este blog para mim é um desabafo sincero, escrito na solidão do meu lar, naquilo que parece ser só meu mas coloco à disposição de quem quer que seja que lê os meus desvarios mentais.
Na realidade escrevo quando me sinto só, triste e menos forte... hoje é mais um desses dias... se da última vez que escrevi me sentia como um poio de merda ostracizado numa rua qualquer, então hoje sou poio de merda que espera que venham limpar esta rua qualquer, que despejem o balde de água fria, que já sinto, que dilua por uma vez a minha essência. Espalhada um pouco por todo o lado e a escorrer até ao esgoto, onde se juntam mais como eu, um dia sentiram-se bem consigo mesmo mas eventualmente alguém lhes fez sentir como um dejecto.
A dor é constante e enturpece o meu pensar. A música berra me aos ouvidos para me impedir o raciocinio que apenas dita criticas surdas... dentro de mim ecoa a culpa e o desalento de quem tem todo o poder para se enaltecer mas ainda assim se deixa sofrer.
Mea culpa, sei concerteza.
Escondo a culpa num sorriso, numa graça, numa piada, num rosto sereno. Cada vez menos me conheço, afinal quem sou? Contemplo o hedonismo e recebo-o de braços abertos sabendo que depois a meus braços volta o desalento de um abraço vazio... de quem novamente se esvaiu.
Não espero que entendam o que digo. Sinceramente continuo à espera que me chamem de louca e me fechem num quarto vazio. Tirem me de mim, calem me o pensamento, impeçam-me o pensar, só assim, inconsciente serei verdadeiramente feliz. Não há felicidade consciente. Perguntam-me porque gosto tanto de recem nascidos. Não é a baba, nem os grunhidos sem sentido, nem a dependencia de cuidados de outrém... é saber que nas minhas mãos está um ser humano, o mais proóximo da verdade e sinceridade que alguma vez estará. Essa pureza, essa inocência, essa verdade alimenta-me a esperança de que a humanidade possa um dia recuperar traços subtis da vida e que vá um dia conhecer alguém que não aja com segundas intenções, alguém transparente, alguém em quem se possa confiar para dizer sempre a verdade, mesmo que não seja aquilo que queira ou espere ouvir, mesmo que arda como uma ferida aberta que nunca vai sarar por completo.
Sinto o peso da desilusão. A desilusão não tem peso? Tem sim, rouba -me espaço no coração e fé para acreditar em quem quer que seja. O nosso caminho é solitário. Podemos nos enganar com o logro da vida a dois, no fim a morte é só minha e apenas minha. Tudo mais quanto guardo são recordações, que nem essas terei a capacidade de guardar. A vida é um fio sempre prestes a quebrar... um caminho estreito no qual tento encaixar alguém que me acompanhe na caminhada, mas mesmo a dois, caminho só... o dia do juízo final aguarda-nos ao virar da esquina o que me leva ao prazer hedonista de fazer o que sinto, sem prejudicar ninguém, mas sei que no fim quem sai ileso és tu, não eu, porque eu sinto o que digo e digo o que sinto.... o ser humano foi feito aos pares mas eu sai da linha de produção. De certo alguém faz de mim study case, só para ver se é possivel resistir a tanta estupidez auto infligida, a tanta merda auto-consumida, a tanta violencia auto-dirigida....
Não espero que entendas o que escrevo mas acredita que mais tarde ou mais cedo estás só e aí é impossivel mentires a ti mesmo.... o que levas da tua vida é a certeza de no fim és tu e só tu que suspiras pela última vez....
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