É tão bom sonhar. Viver a vida e preservar para mim o que de mais intimo sempre é meu, porque se encerna nos meus pensamentos, existe para mim e se esgota em mim. É me tão pessoal que me perco neles. Projecto e sustento a realidade com a mente no sonho, daquilo que seria se pudesse, aquilo que sentiria ou viveria se apenas o sonho fosse real.
Mas e quando o é? Sou tão idealista que nem vejo o que se depara diante de mim. Idealizo o sonho mas esse nunca será real. Se o sonho se tornar real deixa de ser sonho e passa a realidade, assim volto a sonhar porque não vejo o sonho real, só o sonhado que nunca, por mim, por minha falha nunca será real.
Escondo o rosto na vergonha, chafurdo a cara na minha demência, no reconhecimento de que me perco em sonhos e passo a vida a sonhar. Nada me contenta, nada me satisfaz, por mais que corra levo me comigo, como me rasgar de mim e evoluir? Como deixar de sonhar e ver o que está mesmo diante de mim, sob pena de o perder, ve lo esfumar se, deixar se levar pela minha falha, pela minha idiotice ou pela minha constante ilusão de tentar permanecer no limbo de duas existências paralelas, esta real e a outra sonhada que andam perigosamente de mão dada e me fazem perder a noção do real.
Tudo quanto tenho são sonhos falhados. Tudo quanto tenho são sonhos vãos. Carrego a certeza da inutilidade da minha aparente força, que força dia após dia uma graça, uma piada, um reagir, um sorriso.
É tão fácil explicar um sorriso, mas um pesar nos olhos, um pesar nos ombros é tão mais facil esconder....
Talvez procure conforto imediato, talvez procure um sonho, um ideal de pessoa que me respeite e me veja realmente por quem sou, talvez viva o sonho, ainda está por concretizar a ilusão de amor, então sonho, sonho profundamente, misturo o que foi com o que podia ser e gostava que fosse, sonho mas não acordo, sonho acordada e vejo o sonho mesmo onde só encontro a dura realidade.
Não idealizes tanto amor...
ResponderEliminarJust live :)