sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Amo - te, agora e sempre...

A vida nem sempre nos traz aquilo que queremos.

Temos sempre a ideia absoluta do que constitui a nossa felicidade e negligenciamos o óbvio... nem sempre a felicidade está onde pensamos que ela está, passamos ao lado dela sem a reconhecermos.

No dia a dia vemos a felicidade estampada no rosto de muitos e invejamos aquilo que pensamos que não temos, ficamos tristes porque queriamos ser mais magros ou gordos, loiros ou morenos, baixos ou altos, queriamos aquele emprego que pensavamos de sonho e partimos numa demanda desenfreada para obter aquilo que pensamos que queremos e necessitamos para nos sentirmos completos...

Carpe Diem, vive o dia, há quem tenha o plano de não fazer planos. Ver onde a vida nos leva, viver dia após dia sem lutar por nada ou ninguém, deixar ao destino ou à vida, o desfecho dos actos traçados no presente.

Mas e se o amanhã não existisse?

Como te disse tantas vezes que não pusesses os pés em cima da mesa carissima de cerejeira, como te disse tantas vezes que se lavasses a louça de vez em quando não te caía um braço, como te disse tantas vezes que detestava que deixasses a tampa da sanita levantada... como te disse tão poucas vezes que te amo.

Saíste de manhã, com a mesma azáfama de sempre. Eu a tentar dar o pequeno almoço aos miúdos. A Catarina a chorar pela chupeta que caíu da cadeirinha, o André a reclamar a mochila do Homem Aranha que todos os miudos têm menos ele, a Luísa a remecher os cereais com aquela música infernal nos ouvidos.

Passaste pela cozinha, deste um beijo a cada um dos teus 3 filhos e saíste, ainda zangado comigo, pela briga da noite passada, ja não nos riamos tanto como quando casamos. Porquê?

Queria dizer-te "Desculpa", mas não disse, Queria ter-te dito "Conduz com cuidado, está um tempo terrível", mas não disse, devia ter-te dito "Amo-te" mas não te disse; e quando me disseram que chovia muito, o condutor da frente parou de repente porque não viu o transeunte na passadeira e tu te desviaste para não embater em ninguém e acabaste por ser levado por outro veículo em excesso de velocidade, pensei, devia ter-to dito todos os dias.

Devia ter pensado que o plano de não fazer planos resultou para nós mas mesmo assim tivemos foi sorte por termos tido anos até ficar tudo por dizer. "Amo-te", apesar das brigas, "quero -te", embora muitas vezes te odeie, "quero uma vida contigo, a teu lado sinto me bem", embora não faça planos para o futuro.

Agora não voltas mais, não é um sonho é uma realidade, de manhã eramos um e agora só sou metade e a última memória tua é aquela tua cara, de olhos tristes e expressão cansada, que passaram por mim e não me viram, resolveram deixar para depois o gosto da reconciliação, para quando os miudos estivessem a dormir, para quando estivessemos a sós, com um copo de vinho na mão em frente à lareira do nosso lar. Esse era o plano, deixar que o dia passasse e depois logo se via, logo aconteceria, mas não aconteceu. E tu não me disseste o quanto me amavas e eu não te abracei nos meus braços antes que ficasses assim, rígido, frio, morto.

Será tarde para dizer que te amo? Que não imagino a minha vida sem ti?
Será tarde para dizer o quanto queria voltar atrás e passar aquele tempo que gastamos a discutir a fazer amor? Será tarde para dizer que mais valia ter feito o plano de planear não ter planos mas mesmo assim amar te, de 5 em 5 segundos?

Como se vive, quando parte de nós morre? Como se acorda todos os dias para um novo dia quando ainda ha pouco estavas aqui do meu lado, a dançar comigo e logo a seguir a brigar comigo e chamar me de paranoica! Como se vive quando não mais te posso beijar, cheirar e ter em mim?

Agora ja é tarde. já não voltas a entrar por aquela porta, já não me ouves e eu tinha ainda tanto para te dizer....

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