domingo, 12 de dezembro de 2010

Louca

Olho-me no espelho e não me reconheço...

Uma vez jovem, inocente, sempre desassossegada, muita ânsia por não sei bem o quê, sempre em constante demanda, numa estrada sem fim, rumo a algures, sem nunca parar...

Ouço o que digo mas as palavras enroladas na lingua não são minhas... aquilo que soa é vazio e oco, mera esperança ou automato, doutrina fiel, para me convencer mais a mim do que aos outros aquilo que digo....

Encosto a cabeça na almofada, não sou eu aqui estendida... sou sonho, sou partido, sou fantasma e realeza, sou certeza do incerto, do vivido pensado, do sonho inexistente, do sono profundo, do entorpecer da mente...

Esta voz dentro de mim não é minha... é a alma, a consciência, o metafísico de mim mesma, a pausa, a certeza, de reconhecer afinal quem sou, ou a voz pura e cristalina que acusa e recusa, mas que grita tão alto e nunca se cala....

Sem descanso, sem silêncio, não reconheço o dia da noite, é constante atribulado e mutável, é frio e distante, é me familiar é reconfortante, a solidão da voz de dentro, que dita quem sou, não sou, faço de conta ser ou pareço muitas vezes...

Aqui dentro enclausurada comigo eu sei, que a sós vivo, choro, imagino, rio, enlouqueço, imagino e suporto, ignoro mas reconheço a voz viva de mim... afinal respiro, mesmo que um sopro, um fio de vida frágil como vapor, que não se vê, nem toca, se sente e tem, como garantido e afável, suave mas cortante, permanente e irritante...

Nuvem densa da existência, povoa o corpo ou a mente? Quanto pesa a voz da conciência? Tu que ditas o que escrevo ,ou mesmo penso, ou o trajecto dos meus dedos pelo teclado, pensamento alado da loucura... diarreia verbal de codigos regurgitados ocos, sem sentido mas pesados de singificância...

De onde vem a loucura, qual voz presente, constante, intrigante, quando és eu ou loucura, quanto de louco ha em mim, ou no timbre da minha voz... quanta insanidade gratuita carregas... presença ou adivinhação da loucura ou consciente desvario? Quão ténue é o fio da razão...

Loucos são os dias da loucura pensada sem pensar... loucos são os pensamentos momentâneos, frutos de vazio mental ou insanidade consciente.. como ser louco e saber? Como perceber a loucura e domina-la? Como saber se o que penso é louco ou névoa... como saber de onde vem aquilo que ecoa na mente, neste espaço pequeno e aglomerado... de pura loucura ligada, mentira pegada do pensamento, não somos mais que loucos....

Loucos a pensar que pensamos da loucura como se loucos fossemos, na realidade louco é que pensa na sanidade que pensa que não tem....

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